segunda-feira, 12 de março de 2012

Sobre momentos perdidos

Enquanto o iG publica uma matéria sobre seis atitudes que as mães podem aprender com os pais, com a participação de um monte de gente legal (e eu, pasmem), me vejo às voltas com outro tipo de problema...

Eu tenho passado bastante tempo com a Lucia, e tem sido ótimo (e cansativo, confesso), mas, neste fim de semana, tive que trabalhar. Estaria tudo bem (dentro do que pode estar bem se você está trabalhando no fim de semana), se não fosse por uma mensagem da minha mãe, doce até, dizendo que a Lucia estava rindo de felicidade porque aprendeu a andar de totoca sozinha, aquele triciclo de criança com pedal na frente.

Me bateu um desespero horroroso, como se eu estivesse perdendo os melhores momentos dela, aqueles que são marcos na vida da criança, de estar na agência enquanto minha filha ficava exultante de felicidade com as suas novas conquistas. Como se eu só ralasse e outros estivessem aproveitando a parte divertida. Fiquei com ciúme, invejinha até. Fiquei em crise, trabalhar pra quê? Pra perder isso?

Só consegui buscá-la bem de noite e ela já estava dormindo, o que por si só já é duro. Coloquei a pequena no carro, e meio sonâmbula, falou que foi muito divertido na vovó dela. Eu disse que estava com saudades e ela respondeu, sem abrir os olhos, "eu também, papai".


Meus olhos encheram de ciscos. Súbito, apesar de todas as perdas, me pareceu uma troca justa: eu trabalho porque eu quero que ela tenha tudo que merece, e um pouco mais. Se eu tiver que morar debaixo da ponte, problema meu, mas ela? Não. E quando ela me disse que estava com saudades, estava me dizendo que eu estava ali sim, mesmo que não tivesse tido essa intenção e fosse só uma sonâmbula falante. Fiquei ali alguns minutos com a porta aberta, olhando essa menininha na cadeirinha do carro, que tinha acabado de conquistar mais uma independência. Lucia, que cabia no meu antebraço.

Tirei os ciscos e me dei conta de algo que já sabia, mas só racionalmente: tudo que eu faço, faço pra ela ter momentos como esse. E que ela, sem perceber, só de dizer que tinha saudades, me deu um imenso abraço com palavras.

Um que eu estava realmente precisando.

65 comentários:

  1. é muito amor pra uma vida só mesmo! bjs

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    1. Mas como só tem uma, vai ter que caber nesta, né...

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  2. Dores de crescer e deixar e ver o outro crescer...

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  3. putz, me fez chorar no trabalho! :)

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  4. E não é que apareceram ciscos nos meus olhos aqui também?

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  5. Dá uma raivinha quando essas coisas acontecem mesmo!!!
    Mas, fique tranquilo! Essa foi uma das conquistas dela longe dos seus olhos... Ainda terão outras, mas terão muito mais conquistas vividas ao seu lado, pode ter certeza!!!

    Lívia.

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    1. A gente sabe que não dá pra participar de tudo, mas entre saber e "saber" a distância é grande.

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  6. Aim teu relato é lindo e ao mesmo tempo forte e dodloroso, so quem é pai e mãe de verdade sente-se realmente dessa forma quando um filho faz alguma conquista na nossa ausência, e apesar de sofre-mos com isso, sabe-mos o porque apesar de doloroso, perde-mos alguns dos momentos mais importantes ou engraçados dos nossos pequenos, mas momentos são unicos e sempre serão recheados de maior alegria e amor quando estamos ao lado deles.

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    1. E que bom, afinal, que eles fazem conquistas também na nossa ausência né?

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  7. Mais um ataque dos ciscos aqui... Você está cada vez melhor no ofício de pai-escritor. Beijos!

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    1. Nesse ofício uma coisa afeta a outra... thanks!

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  8. A gente perde tantos momentos...mas tambem ganha muitos!!

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  9. Que lindo... Realmente os filhos nos dão alegrias imensas com pequenas atitudes. Mesmo se não acompanhamos tudo, basta ganharmos um sorriso ou um abraço com palavras. Nada se iguala.
    bjos

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  10. Muito linda a Lucia! Conheci o blog hoje através do IG. Guarde tudo, ela vai adorar ler a vida e as conquistas dela no blog, e quem sabe em breve vocês não fazem uma parceria aqui. Versão: como nasce uma filha, by Lucia =)

    Bjos

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    1. Eu ia adorar ler a lucia escrever "como nascem as filhas" :)

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  11. nem dá para escrever direito...caiu um cisco aqui...e...

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    1. eletrônicos e ciscos não combinam...

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  12. É isso aí, tudo que fazemos, mesmo que nos deixe longe por um pouco, é pra eles, os filhos, pra que eles fiquem felizes e sejam felizes. Vc falou tudo e apesar de ser mãe e não pai, tb não quero perder nada, e a gente perde algumas coisas mesmo assim. Mil bjs pra vc e pra fofuríssima Lúcia.

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    1. é até importante pra eles essa independência, maaaaas...

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  13. E como esses momentos perdidos me enchem os olhos de ciscos também!!
    Mas, como queremos o melhor para os nossos filhos, temos que pagar o pato. Pelo menos tem quem relate os feitos pra gente!

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  14. Meus olhos se encheram de ciscos tb, pensando em qtos momentos já perdi da minha filha por está trabalhando. Muitos deles sei por telefone, narrados pela minha mãe.

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  15. Ciscos e mais ciscos por aqui também :)

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  16. Interessante como você está cada vez mais pai (alguns diriam mãe, já que as mulheres estrearam neste papel de amor incondicional há mais tempo)e aprendendo isso com essa pessoinha que cabia no antebraço. Lindo!

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    1. Eu discordo de quem chama isso de mãe...
      e obrigado :)

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  17. Eu me questiono em estar no trabalho da mesma forma que vc o fez, tendo perdido um momento da tua pequena... Mais uma vez, vaaaaarios ciscos invadiram meu mundo por ler teu post... Um abraco grande!

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    1. A gente questiona mas não trabalhar é pior né?

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  18. Eu acho lindo o amor e carinho que voce tem para sua filha... Nao se culpe, voce eh presente, jah provou isso... E se esta trabalhando eh somente para dar o melhor a sua filha... Boa noite! bjs
    Ficarei feliz com a visita no
    http://www.meufilhominhavida.com/

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    1. Bete, racionalmente a gente não se culpa... mas na prática...

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  19. Não consigo enxergar de tantos ciscos em meus olhos...rs Me sinto exatamente assim diariamente enquanto batalho para que o João tenha tudo o que não tive nesta vida. Quando trabalho até mais tarde e não o vejo acordado, fico com medo de que um dia ele se esqueça de mim. Melhor parar ou não terei olhos suficientes para tantos ciscos..rs

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  20. Nossa, que profundo isso!
    Acho que sempre sentiremos essa necessidade de estar junto, de poder ser presente, de vivenciar toda primeira vez, tudo que acontece de novo, todas as estapas que comecam e que encerram.
    Mas mesmo eu que sou uma mae full time, questiono a qualidade desse tempo, se estou atendendo as necessidades emocionais do meu filho, se eu estou 100% para passar pra ele o meu melhor.
    E acredito que o lado bom de ter esse tempo sem eles, eh poder vivenciar coisas novas, refrescar a cabeca, ter historias novas para contar e morrer de saudade, para entao poder viver, o reencontro!

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    1. Oi Aline, sempre bom ouvir o outro lado. nada é perfeito né...

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  21. Que lindo Re. Meus olhos tb estão com cisco rs. Bjs nos dois

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  22. Repetindo o que já foi dito: comovente, belo, quase doloroso de ler, de tão bem escrito e verdadeiro.

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  23. Agora eu q to com o olho cheio de ciscos...
    q post emocionante!

    vc e um pai presente e amoroso,
    a vida tem dessas coisas...
    a gente nao è omnipresente...
    q para algumas coisas seria tao bom neh?
    bjs.

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  24. os ciscos dos seus olhos voaram para os meus...

    lindo texto...consegue descrever perfeitamente a dor que essa sensação de estarmos sempre perdendo algo dos nossos pequenos nos causa.

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    1. mesmo sabendo que é por uma causa nobre, é dolorido né?

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  25. os ciscos nos olhos tb vieram parar nos meus...

    Tem coisa mais emocionante do ouvir da boquinha delas que estavam com saudades da gente?!

    Tem algo mais gratificante do que se sacrificar para dar uma totoca pra sua filha?! ou para deixar o trabalho que exige a entrega de um prazo que vence amanhã para ficar mais um pouco com a pessoa que vc mais ama nesse mundo?!

    Tudo tem o seu preço...

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    1. Daniela, vc acertou na mosca - tudo tem seu preço. cada um precisa achar seu próprio equilíbrio...

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  26. sabe que, estranhamente, me orgulho? gosto de saber que mariana é feliz sem mim, se desenvolve mesmo longe dos meus olhos. dói e alegra ao mesmo tempo. ai, ai.
    Mas vim aqui pra outra coisa. pra falar que ontem fui comprar um livro para um colega grávido e o primeiro que indicaram foi o seu Diário Grávido. Claro que comprei e ainda tirei onda: - a, do Renato! Claro, como não pensei, ele é meu amigo, sabia?
    hahaha
    o colega adorou!

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    1. Patricia!!
      É sim razão de orgulho, mesmo que um pouco dolorido.
      E como você não pensou! grrrr.
      hahahah

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  27. Eu entendo perfeitamente e tenho passado por isso todos os dias da semana. Cada dia que busco a minha filha ela está mais faladeira, aprendeu uma coisa supreendente, e eu me vejo perdendo tantas coisas mesmo tendo ficado 2 anos exclusivamente com ela!

    Mas tudo tem um lado bom, e sim existe um porque de trabalharmos! ;)

    Beijos

    www.parabeatriz.com

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    1. Isabela, vc tem toda a razão: existe sim uma razão. Não adianta ficar com o filho em tempo integral, mas embaixo da ponte. Ou adianta. sei lá.

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  28. eu fiquei um ano longe do meu filho, só o vendo em finais de semana, por causa do trabalho. ele estava morando com os meus pais e eu em outra cidade tentando ganhar a vida na área que eu escolhi (e que não tinha "vaga" na cidade deles).

    perdi muita coisa legal dele, sei bem como é isso que você contou no post.

    hoje felizmente conquistei meios para ir e voltar todo dia da casa dos meus pais e meu trabalho. no final das contas, foi um esforço que valeu a pena :-)

    abraços!

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    1. Que legal, Rafael. Aproveite tudo que seu filho tem a oferecer porque o que passa é realmente irrecuperável. Falo por experiência própria com meu pai. Sempre ausente por escolha própria...

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    2. rafael, a gente sempre perde alguma coisa, não tem jeito... mas a gente faz o que pode né?

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  29. Poxa, fiquei com ciscos nos olhos também. Assim não vale, Lucia. :) Lindo seu amor de pai e lindo o amor de filha. Que Deus sempre esteja no caminho de vocês pra que nunca se perca.

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  30. Nossa, me emocionei muito! Sei bem sobre o que está falando, pq tive que sacrificar muito o Breno, meu filho, por ser mãe solteira. Trabalhava até meia noite na agência (também sou redatora) direto! E passava as vezes a semana toda sem vê-lo. Ele ligava pedindo pra eu voltar e eu ia tirar vários ciscos no banheiro. Hoje abri mão um pouco da carreira. Estou numa agência que não me exige muito só para ter tempo de curtir mais, pelo menos a adolescência do meu menino :-)

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    1. Luciana, tenho um respeito gigantesco por mães solteiras. Acho fantástico que você tenha encontrado um ponto de equilíbrio. :)

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  31. Renato, obrigado por esse texto e pelo blog como um todo.
    Minha princesa completou 7 semanas ontem e eu estava procurando um lugar que eu pudesse encontrar suporte nessa incrível montanha russa que os últimos meses têm sido.
    Eu encontrei o seu blog através de um link no UOL hoje de manhã e o estou "devorando".
    Quero comprar o "Como nascem os pais" mas como eu moro na Holanda está complicado. Alguma dica?

    Abraço.

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    1. Jyan, obrigado você. Acho que a maioria das livrarias online, bem como a própria editora, entregam na Holanda. Se o frete ficar caro, me manda uma passagem que eu levo pessoalmente pra você! :)

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