sexta-feira, 29 de abril de 2011

The angry red snake

"Nós temos uma boa notícia e uma má notícia: a má é que nós amputamos a perna errada. A boa é que a gente amputa a perna certa de graça."

Dicotomias e maniqueísmos são recursos quiçá preguiçosos. Os próprios envolvidos podem reclamar "ok, estamos aqui, Bem e Mal... tá chato né? chama, sei lá, a Neutralidade para um menage conceitual". Claro que quem aparece é apenas a Neuralidade.

Tudo isso pra contar uma boa e uma má notícia. A boa é que essa semana entreguei o primeiro manuscrito do novo livro, Como Nascem os Pai, para minha querida editora. A má, como vocês devem ter notado, é uma dada escassez recente de posts.

Enquanto isso, céus, Lucia virou uma "coba bava emeia" que fala pelos cotovelos...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Sorriso do Pato

Falando em intermináveis manhãs, aproveito pra contar uma ação de uma ong chamada Operação Sorriso, que realiza cirurgias gratuitas em crianças com fissura labial.

Patinhos com esse problema, além de inúmeros problemas de saúde, sofrem devastadores efeitos emocionais, e os olhares e comentários das outras crianças fazem com que muitas vezes abandonem a escola por completo. Uma criança disse que ouviu de um colega "prefiro olhar pra um cachorro que pra você." Crianças estúpidas.

Com uma cirurgia de 45 minutos, esses patinhos ganham uma segunda chance, um novo sorriso. A ong é patrocinada pela Colgate, e através dessa parceria já operou mais de 3 mil crianças.

As próximas cirurgias vão ser em Maceió, e não é necessário fazer pré-inscrição para pleitear a cirurgia, apenas comparecer ao hospital no dia do exame e seleção dos pacientes.

SERVIÇO:
Dia de seleção dos pacientes: 28 de abril
Local: Ambulatório Rodrigo Ramalho (Av. Assis Chateaubriand, 2.932 - Prado)
Horário: a partir das 8h
Telefone para informações: (82) 2123-6222
Datas das cirurgias: 30 de abril a 03 de maio
Local: Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Guia (Av. Comendador Calaça,
1.244 – Bairro do Poço).

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Patinho Feio e sua fazenda de idiotas.

Semana passada a Lucia me pediu pra contar a história do Patinho Feio. Contei o que eu me lembrava: "Era uma vez um patinho feio. Todo mundo caçoava dele, mas ele cresceu e virou um lindo cisne". Ela ficou feliz.

Depois perguntei pra Ana se a história era isso mesmo, parecia meio curta. Ela me disse que não, que acontecia muito mais nesse meio tempo. Ué. Fui pesquisar a versão do Hans Andersen.

Li e fui tomado de uma sensação de horror. Da mesma sensação de injustiça e indignação que tinha ao ouvir essa história quando criança, acho que a mais assustadora de todas, e fiquei surpreso de ter esquecido tudo isso. Ou não - Freud implica.

"Todos os bichos, inclusive os patinhos, perseguiam a criaturinha feia. A pata, que no princípio defendia aquela sua estranha cria, agora também sentia vergonha e não queria tê-lo em sua companhia. O pobre patinho crescia só, malcuidado e desprezado."

Em algumas versões, ele foge quando caçadores chegam no brejo. Em outras, ele é enxotado pelos irmãos.
Puta que caralho, que história triste dos infernos. E onde ele vai, continua sendo perseguido; quando encontra um lar potencial ele é sabotado e acaba ostracizado de novo. É o bullying ancestral e o arquétipo do desamparo.

Eventualmente, tendo sobrevivido à inúmeras perseguições e depois, sozinho, ao frio do inverno, ele encontra um grupo de cisnes e vive entre eles. A questão não é que virou um lindo cisne, ele poderia ser um ornitorrinco. Mas existe um lugar até para os estranhos, para os desajeitados, um grupo de seres com os quais você escolhe viver, ainda que, para chegar lá, tenha que comer o pão que o diabo amassou por intermináveis manhãs, por um interminável inverno. Que ódio dessa fazenda inteira.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Diário Grávido no Ricky Gervais Show

Ou quase...
Esse programa é um podcast, que uns gênios decidiram animar em cima e é meio assim, ame ou odeie. Eu adoro e todo mundo lá em casa odeia. Vai saber.
Ontem vi esse trecho e pensei "ah vá", que idéia genial, vou fazer isso no blog:



(Se vocês não conseguirem ouvir o audio, culpem a Ana, que insiste em trabalhar enquanto eu vejo TV. )

Inspirado pelo programa, aguardem aqui, muito em breve, um raio-x da "casa da Lucia, pré-útero", e um animado vídeo de sua concepção. E quando eu digo animado, quero dizer ANIMADO.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Criatividade em estado bruto

No espírito do post anterior:
A Maria tem 9 anos.
Ela estava aqui toda entediada, a pobre enteada.




















Pegou meu iphone, que tem um appzinho para transformar as pessoas em zumbis, aplicando cicatrizes e tal.
Dez minutos depois ela me entrega essa imagem que, além de divertida, mostra um pensamento não-convencional, usando uma ferramenta tecnológica de formas que talvez nem seus criadores tivessem previsto. Parece uma prima barbada da Turanga Leela.

Brincando com o futuro

(republicando:)
GILBERTO DIMENSTEIN

Brincando com o futuro

EM SEU LABORATÓRIO repleto de brinquedos e peças coloridas espalhadas pelas mesas, o físico Mitchel Resnick, formado em ciência da computação, está ajudando a reinventar o jeito como as crianças aprendem e, assim, formar adultos mais produtivos e interessantes. "Era da informação é coisa do passado. Estamos entrando na era da criatividade", aposta.
Dentre os vários brinquedos que nasceram em seu laboratório, há uma plataforma na internet em que as crianças montam seus próprios games e histórias digitais. As invenções são compartilhadas mundialmente, formando uma rede planetária de programadores mirins. "Queremos que eles não se satisfaçam apenas em jogar, mas em produzir seus games."
A tradução do que significaria "era da criatividade", na qual o essencial é ser um permanente inovador, começa na própria arquitetura em que está esse laboratório de brinquedos.
É uma escola sem sala de aula, onde todos, professores e alunos, estão sempre inventando alguma coisa.
A sensação que temos é que todos ali brincam com o futuro.



 

De todos os espaços educativos que conheci, poucas coisas me impressionaram tanto como o Media Lab, subordinado à faculdade de arquitetura do MIT. O lugar consiste em uma escola criada, como o nome diz, para reinventar a transmissão de informações.
São centenas de estações de trabalho espalhadas pelos andares, reunindo engenhocas de todos os formatos. Como não há quase divisórias, temos, à medida que vamos subindo os andares, uma visão geral ao mesmo tempo caótica e organizada.
A arquitetura transmite a mensagem de que criatividade depende de uma combinação de caos, flexibilidade, diversidade e estímulo ao contato humano.
Na semana passada, assisti à apresentação dos projetos dos alunos realizados com seus professores. Celulares criados para detectar problemas de visão; tecidos inteligentes que se adaptam ao corpo; robôs preparados para executar uma ópera no palco; carros que não poluem e cujos motores ficam nas rodas. Descobriram como fazer da mão humana um mouse. Projeta-se um teclado em qualquer parte do corpo e você passa a funcionar como um computador.
Estão desenvolvendo o que eles chamam de "computação afetiva", sistemas que permitiriam às maquinas entender as emoções humanas. Isso significa que um carro pode ajudar a prever quando alguém está tenso ou cansado pelas feições do rosto e pode enviar um sinal ao motorista. Dá até para traduzir as batidas do coração.


 

Mais importante de tudo é arquitetura curricular, da qual o prédio serve como ilustração. Os alunos de mestrado e doutorado do Media Lab criam suas próprias metas e dizem como vão atingi-las. Podem, por exemplo, ter aulas em diversas universidades americanas sem precisar comprovar nada. Fazem também seu próprio tempo. "Podemos escolher não fazer nenhuma aula", conta Leo Burd, formado no ITA e na Unicamp, que desenvolve pesquisas no MIT para uso da tecnologia para inclusão social. "Acabamos atraindo gente muita apaixonada", acrescenta.
O professor não tem sala de aula. Trabalha em pequenos grupos, desenvolvendo as experiências.


 

A flexibilidade tem um preço muito mais alto do que a disciplina. O aluno tem de apresentar algo realmente consistente, inovador e criativo -o que, claro, exige muita leitura e experimentação.
A mensagem essencial está no laboratório de brinquedos de Mitchel: para formar adultos criativos é preciso mantê-los sempre como se fossem crianças, brincando com o conhecimento.


 

PS- Minha descrição do que vi na semana passada no Media Lab não faz justiça ao evento. Coloquei uma seleção dos projetos no www.catracalivre.com.br. Posso garantir que estou descrevendo aqui não reflete nem remotamente a sensação que se tem vendo a descrição dos projetos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A primeira rejeição a gente nunca... GNAAAHHHHH

Não estou pronto, simplesmente não estou pronto pra essa adolescência aos dois anos e meio.

Ontem cheguei em casa, me abaixei pra dar um beijo na Lucia e ela tentou me dar um tapa na cara. O tapa não é tão inédito (e é sempre repreendido) mas assim, logo ao chegar, é novidade.

Primeiro me deu uma sensação de coração partido. Depois, aquela vontade de dar um chutão na pobrecita ao estilo South Park. Também fiquei com vontade de não falar mais com ela pelos próximos três anos, pra ela aprender. Mas eu sendo eu, meia hora depois já estava mendigando atenção da pequena, que só queria a mãe.

Isso que ela tem dois anos e meio. Duvido que muita coisa mude em mim até a adolescência dela, ou seja, estou frito, frito.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O pug peidorrento do tio Jacques

Atacada por um Pug Selvagem, Lucia responde a pergunta levantada no livro do Lollo, "Quem soltou o Pum?"



Para quem não conhece, recomendo a leitura.

domingo, 3 de abril de 2011

A genética do senso de ridículo

Espero que o dito senso não seja hereditário, assim a Lucia tem alguma chance de ter algum, já que eu, se tenho, não foi o suficiente pra me impedir de postar esse video. Ridículo, mas não como em cartas de amor do Fernando Pessoa, ridículo como em quem é esse retardado que está cantando. Mas a interpretação cênica da Lucia para "mas tem muito medo é do gavião" é tão genial que eu vou ter que engolir o orgulho e postar esse video-ridículo. Ridículo já é coisa de velho? É o novo anacronismo como em "é uma brasa, mora", ou ainda não? A Maria diria "Pagar Mico". Como paga coisas essa geração.  Expandiram os nossos parcos pagar sapo e paga-pau para pagar mico, cofrinho e, claro, pagar a conta pelo nosso mau uso do planeta. E o primeiro que fizer uma piada tipo "você esqueceu 'pagar um b'..." vai levar um croque na têmpora, ou, mais precisamente, um croquete.

sexta-feira, 1 de abril de 2011