Levantamos, deixamos a Lucia na escola e fomos contentes, eu e Ana, fazer o segundo ultrassom dela, mas meu primeiro nessa gravidez.
Cheguei todo animado, tirei foto do aquecedor de gel transdutor, o Gel Kent, pra perguntar de que parte do corpo do Clark será que isso saía. Tirei foto do painel de controle, cheio de botões, e eu adoro botões. Tirei foto do grande dildo ultrassônico, ao lado daqueles que vão na barriga, pra perguntar adivinha qual desses vai ser.
O Médico chega, começa o exame, acha o saco gestacional. Faz algumas perguntas, pede pra confirmar a data de concepção, pede pra ver o ultrassom de um mês atrás. Tira as medidas de tudo, colo do útero, ovários, mas nada de mostrar o bebê.
Fiquei lembrando da gravidez passada, que o médico demorou muitos minutos pra achar o coração do bebê, e pensei que já tinha visto isso antes. Mas não.
O Bebê sumiu. Escrevo isso e meus olhos enchem de lágrimas, de novo. O ultrassom acabou e nenhum bebê foi encontrado. Pequeno Alien do meu coração.
O médico diz que a princípio a gente poderia ter errado a data da concepção. Mas o ultrassom de um mês atrás mostrava mais do que este, o pequeno feto estava lá sim. Neste era pra ver tudo, e não tinha nada. O médico sugere fazer uma curva de Beta-HCG pra confirmar. Diz que às vezes um problema genético no feto pode inviabilizar a gravidez e o corpo mesmo resolve isso. Diz que isso acontece muito, uma em três ou quatro gestações.
Saímos do laboratório arrasados, um peso de milhões de toneladas. Na saída, nos damos conta de uma coincidência impressionante: Sabem aquele médico do Einstein, que, com a Ana quase parindo a Lucia, disse que ela não estava em trabalho de parto, talvez porque o hospital estivesse lotado, e a gente correu pro São Luiz e a Lucia nasceu em seguida? Pois era esse o médico do ultrassom. Claro que a culpa não é dele, mas que coincidência nefasta.
Mais tarde conversamos com a médica da Ana, que pede pra agirmos normalmente, como se ela estivesse grávida, tomar ácido fólico e afins, até que a gente confirme mesmo a situação. Sábado tem a curva do Beta, e mais cinco ou sete dias depois disso, outro ultrassom.
Entrei em choque: como posso viver dez dias sem saber se estamos mesmo grávidos ou não? E para provavelmente tudo se confirmar, e tendo renovado esperanças, cair de cara no chão de novo? A médica está sendo responsável, do ponto de vista médico, mas a gente estava lá no exame, e onde deveria ter um lagartinho, não tinha nada. A única chance é o médico ter cometido um erro impossivelmente crasso no ultrassom.
Fomos para nossos trabalhos. Fazer o que, ficar em casa? Passei o dia com vontade de colocar a Ana no colo e apertar. E com vontade de buscar a Lucia na escola, dar um abraço nela e não largar mais.
O Bebê estava lá, e sumiu.