sexta-feira, 30 de abril de 2010

Muita areia pro caminhãozinho

Não, não é um recado ameaçador a todos os candidatos potenciais a genro.
(é sim, é sim).

Areia é algo que me causa reações mistas. Gosto muito de seus sub-produtos como vidro e silício. Adoro o mar mas acho que prefiro um deck de piscina à areia da praia. Para as crianças é muito lúdico e positivo brincar com areia. Mas seja na escola ou no prédio essa areia acaba sendo contrabandeada pra dentro de casa, onde é declarada elemento-non-grato.

Tenho feito de tudo pra evitar que a Lucia descubra a existência da areia dos gatos, o que poderia ter consequências pavorosas tanto em termos de saúde quanto de escatologia (palavra que significa "a ciência preferida das crianças").

E tem outra coisa, a escola limpa as crianças mas sempre sobra alguma coisa pra levar pra casa, normal. E limpar uma criança com areia é como fazer um peeling íntimo, veja o horror dessa idéia.

Para ilustrar esse post, temos mais algumas fotos da Renata, daquele projeto de fazer álbuns das crianças no ambiente escolar do qual a Lucia foi cobaia, digo, modelo.

Visto de longe, ou em fotos, tudo é de uma bucólica tranquilidade. Lucia, Lucas e Ana Elisa na maior paz. A fotógrafa comentou que não é nada disso. Ou seja, é um campo de batalha, verdadeira tempestade no deserto em que cada centímetro é disputado como se nele houvesse, digamos, petróleo.


"Esse lugar é meu, meu, estão ouvindo?"


"Sai Ana Elisa, o tanque é meu e se você subir aqui vou espirrar em você. Não me interessa que você seja minha parceira de aventuras e que juntas enchemos o ralo da escola de pedrinhas. Fala com a minha mão."


Pose clássica, sempre acompanhada da palavra "cabô?"



E por fim Lucia resolve fazer uma vendinha de cupcakes. Sua rival logo abre uma confeitaria concorrente. Lucia parece estar dizendo a um potencial cliente, possivelmente o Luquinhas "Aqui. Come esse bolinho ou enfio essa pá na sua narina. Pode escolher."

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Olho Roxo: Lucia e sua primeira inimiga

A lucia chegou em casa de olho roxo.
Na segunda trocou bofetadas, mordidas e arranhões com uma menina na escola, ficaram se ameaçando com garrafas quebradas e tudo.

Aliás parece que a Lucia é bem brava. Na ficha de avaliação dela tinha um asterisco no item "sabe se defender: afasta-se ou procura um adulto*". Dizia que ela não faz nem uma coisa nem outra, ela revida mesmo.

Também descobri recentemente que além das razões clássicas para descer do berçário pro G1, como saber andar e estar apta a acompanhar a turma, tinha mais uma: "desce a porrada nos bebezinhos".

Legenda:
Lucia: "E é assim que a gente faz pra fingir que não sabia que rabiscou a mesa junto."
Ana Elisa: "Fica de olho, Lucia!"
Menininha: "Dou-lhe um tabefe na cabeça? E se pegar lêndeas na mão?"


Mônica: "Viu Lucia, com o copinho você consegue colocar muito mais areia na fralda, pra alegria do seu pai."
Lucia: "Dá logo essa areia!"
Menininha: "Apunhalo ela na cabeça ou será que vou pegar lêndeas na pá?"
Arthur e David: "Também queremos areia na fralda!"

terça-feira, 27 de abril de 2010

Lucia para Presidente dos EUA



Afinal para ser presidente dos Eua é preciso a capacidade de leitura de ponta-cabeça, essencial para ler documentos de presidentes alheios, do outro lado da mesa de negociações. Ou costumava ser assim.

Em tempo, prefiro divulgar falsidades de cunho próprio, então é importante lembrar que por mais execrável que o Bush tenha sido, a foto abaixo é photoshopada.

Já a foto da Lucia é original, genial, by Renata e parte de uma idéia de fazer albuns de crianças no ambiente escolar. Amanhã tem mais.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Você não sai da minha cabeça

Eca. Não consigo fazer piadas com lêndeas. Eca. A escola diz que a Lucia as tem. Eca.
Estava meio nervoso mas o médico disse que ela precisa de Kwell.
Não entendi bem então na dúvida vou passar creolina na cabeça dela, ao som do créu.
e eca. ECAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pensei e deu saudade: vou buscar ela na escola mais cedo hoje

Enquanto meu celular não fica pronto, o que será bem difícil sem efetivamente enviá-lo ao conserto, fico no aguardo do desbloqueio de um celular antigo. A vida sem celular tem seus encantos e apertos. Por mais que você se esforce pra sentir-se livre e não dar sinais de abstinência, sempre fica a sensação que você vai perder alguma ligação importante, um cliente, um ataque cardíaco ou que ganhou na loto. Preciso mandar consertar o celular e começar a jogar na loto.

Com o celular quebrado vem a vida sem câmera. Tive épocas na minha vida que rompi com a fotografia, tirar fotos e ter álbuns e guardar fotos e rever fotos. Fiz o máximo nesse período para guardar momentos e pessoas na memória. O resultado é que não tenho fotos nem memória da granularidade desses tempos, só um geral vago.

Essa coisa de filmar o truman, digo, a Lucia, começou com ela mesmo. Na fase de gravidez tem poucas fotos. Tem os ultrassons da Lucia, acho que começou aí.

Eu não sei se isso acontece com todo mundo, mas a maioria das memórias que eu tenho da minha infância vem das fotos que sobraram, cujo rever esporádico reforça a tal memória. Descobri isso outro dia na casa da minha mãe, ela desenterrou alguns álbuns pra comparar com a Lucia. E lá estavam as minhas memórias daquela infância. Olhei pra uma foto minha na piscina, com um patinho e pensei, nossa, igual à imagem na minha cabeça. Como dificilmente extraíram a imagem do meu cérebro pra imprimir, só posso crer que as fotos, que eu nem lembrava, que mantiveram essas memórias, enquanto o resto jaz no inconsciente.

É uma espécie de nostalgia mnemônica quando algo em que você não pensava há anos volta à superfície e você sabe que era um pensamento próximo, desses de anos que você sabe que nunca vai tirar da cabeça e quando vê, redescobrindo-o, estranha que por anos o pensamento tenha se evadido. Passando aos parágrafos que fazem sentido:

A pena é que ela está muito engraçada, e brava, e quase falando, e gesticulando e aprontando todas por aí. Percebi isso quando vi ela brincando no parquinho: ela deitou a barriga na balança e saiu voando que nem a supermoça, deslizando a alguns centímetros do chão. Ainda bem que o celular do meu irmão tinha câmera, então um dia, se ele mandar o vídeo, eu mesmo vou acreditar que isso aconteceu.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pequenos Hackers vs Caixa-Encaixa



Esse brinquedo foi muito bacana e ver a evolução da Lucia nele foi-me fonte de prazer e orgulho. Além de ter aprendido a colocar várias das formas no buraco, ela já tinha hackeado o brinquedo ao abrir as fechaduras com o dedo mindinho e não com a respectiva chave. Em uma jogada ainda mais elegante ela tenta criar uma entrada pelos fundos. A idéia é acessar sem causar danos, um desafio intelectual, afinal trata-se de uma hacker menina.

Meses depois, ou seja, recentemente, recebemos a visita do meu sobrinho Samuel, três anos. Sua abordagem para o mesmo problema é um tanto mais bruta: ele sobe no brinquedo e bate as mãos no peito, uma mistura de filhote de tarzan com filhote de king kong. Para surpresa geral, por efeito de pressão exercida por pés, o brinquedo abre-se para ele, não como uma mar vermelho mas como uma caverna de quarenta ladrões. Claro que por "abre-se" entende-se "extraiu parte significativa da integridade do brinquedo, reduzindo sua utilidade em, digamos, 90% e deixando diversas arestas afiadas". A idéia é acessar o brinquedo a qualquer custo e bater as mãos no peito.

Fim do brinquedo.

Em homenagem aos valentes esforços de ambas as crianças, Lucia recebe como prêmio um brinquedo novo, desses bons pro desenvolvimento cacholar.

O comentário está aberto a sugestões e contra-indicações.
(A Lucia está com umas 77 semanas de idade, talvez.)


sexta-feira, 16 de abril de 2010

O que fazer com gritos e com comida invisível

Pois mais uma vez Lucia destruiu meu celular. Ela quebrou o anterior e agora quebrou esse. E vai saber onde está a nota fiscal pra mandar consertar. Então por hora a produção de novos videos fica paralisada. Nada a temer, ainda tem alguns videos não-publicados esquecidos em um canto e agora pode ser a vez deles.

Aqui temos o guarda-grito no tupperware. A Lucia é muito nova pra saber que não dá pra guardar gritos assim sem tampar depois, o grito estraga muito rápido. E se ela não fosse tão nova, saberia como o papai que lugar de guardar gritos é em garrafas. De vodka.


Já esse aqui poderia constar da série de reportagens do Borat "Aprendendo a comer - not!". Afinal a pequena estava cercada de amigos invisíveis e nem quis dividir sua comida invisível com eles. Por outro lado, capaz que cada um dos amigos invisíveis tivesse um tupperware invisível para comer o magnífico repasto preparado pela Lucia. Dizem ainda que nas famílias mais pobres eles almoçam isso todo dia. E nas famílias mais pobres ainda, nem isso.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O livro já tem capa.



Eu achei o máximo.
O Souzacampus arrebenta, que acerto convidá-lo pra participar hein.
As ilustras internas também ficaram geniais.

Opinião é como, bem, sabemos bem como o que, mas pra quem quiser dar a sua, comments abertos!

Basta um post...

... comentando das habilidades linguísticas superiores de sua prima para que Lucia, como se fosse leitora do blog, botasse a boca no mundo.

Ontem o gato subiu na cadeira perto de onde ela estava comendo e ela disse pro Lacan "Não! Desce! Desce!". Passeando pelo playground, onde tem um muro pintado com personagens e flores, ela apontava pra cada flor e dizia "flor?". Também apontava pro que não conhecia e perguntava "hun?". E mais algumas palavras que só a mãe dela sabe, se não por outras razões, pelo meu alzheimer.

domingo, 11 de abril de 2010

A vida ridiculariza a arte: e-baby, e-abraço e e-dancing-with-myself

William Gibson, expoente do cyberpunk, disse que depois de onze de setembro passou a escrever sobre o presente próximo e não sobre o futuro, que um livro propondo o onze de setembro, o presidente Obama e a situação dos estados unidos, se proposto dez anos antes, teria sido arremessado ao lixo da editora, rejeitado como absurdo até mesmo para a ficção.

Quatro anos atrás a coletiva Pleix fez esse vídeo do e-baby.

Quem poderia imaginar que a Universidade de Singapura produziria algo tão parecido: um pijama conectado à internet, com direito a emoticon, bolsos infláveis e aquecimento próprio, pra simular um abraço? Entre o surreal e o assustador.


Na mesma linha tem também o tele-sexo, conhecido como Teledildonics . Basicamente são sex-toys conectados e interativos. How Bizarre.


Dá pra juntar tudo isso: você engravida um aparelho de tele-onanismo, ele dá a luz a um bebê tamagotchi e sua jaqueta infla pra você se sentir abraçado.

Os abraços foram dica da Winnie . O e-baby é da turma do cachorro-pássaro. O resto, que medo.

sábado, 10 de abril de 2010

Sábado é dia de calhau literário: Onde jamais viajei, E.E. Cummings

onde jamais viajei, felizmente além
de qualquer experiência, seus olhos têm seu próprio silêncio;
no teu gesto mais frágil há coisas que me enclausuram
ou que não posso tocar por estarem perto demais

o teu mais leve olhar facilmente me descerra
ainda que tenha me fechado como dedos.
sempre me abres pétala por pétala como a primavera
abre (tocando-a jeitosa, misteriosamente) sua primeira rosa

ou, se seu desejo é me prender, eu
e minha vida nos fecharíamos em beleza, subitamente,
como quando o coração desta flor imagina
a neve caindo, cuidadosamente, por todo lado;

nada do que possamos perceber neste mundo se iguala
ao poder da tua imensa fragilidade: cuja textura
me compele com a cor de seus campos,
desenhando a morte e o sem fim a cada respirar

(não sei o que em você fecha e abre;
apenas alguma coisa em mim entende
que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem as mãos assim tão pequenas.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Confete, Serpentina e Bonzo

Não é viagem no tempo nem carnaval fora de época, mas descobri essas duas pérolas no flickr da escola. Espaço para reações: "uau a escola tem flickr" e "O que catso é um flickr?"

A primeira me espanta pelo seguinte: parece uma capa de disco, os ramones em setenta e pouco com a mão no bolso, dá uma idéia de turma, Lucia andando por aí com as meninas mais velhas, certamente más companhias, más!

Na verdade a questão aqui é que isso mostra todo o mundo interior da escola, que já é um mundo separado dos pais e cheio de coisas que eu não sei ou não controlo. Integrado, comunicado mas à parte. Explico. No berçário a gente entra na escola, acompanha, vê as outras crianças. Eu tinha até um certo orgulho que sabia quem eram todos os outros bebês do berçário, de nome inclusive. Aí eles descem pro g1, a classe aumenta, a gente não entra mais na escola e eu não sei mais quem são os coleguinhas, que só vejo ocasionalmente na hora da saída. Já falei que eu passava pelos pais esperando pacientemente do lado de fora na saída como se eu fosse um emissário autorizado a entrar na escola. Agora eu sou um desses pais. E quanta coisa acontece na escola! Todo dia vem recado na agenda: "Lucia adorou a aula de culinária, fez sua gelatina e comeu a do vizinho". "Pintamos macarrão para fazer colar de índio. Aliás em homenagem ao dia do índio teremos o programa de índio". "Lucia adora o circuito de puffs". Então vejo essa foto da minha punk rocker, hanging out. Um beijo pro Malcolm Mclaren, que morreu mas antes disso, inspirado nos ramones, criou os sex pistols.


E essa aqui! o que posso dizer dessa foto. Será que ela estava fazendo como quem pega flocos de neve com a língua, ou como quem pega gotas de água do chuveiro depois que "cabô?". Capaz de ter comido confetes depois cuspido em uma chuva, fazendo PFTTT como quem fala farofa com a boca cheia de farofa. Olha só, Lucia em um bailão de carnaval e eu nem fiquei sabendo. Ainda por cima deve ter dormido com a classe inteira depois da farra.

Em tempo, Bonzo me remete à três Rs, Ramones, Reagan e a Ração que a cachorrinha cocker da minha infância comia. Lembro o jingle até hoje "Naaaaa nananana My head is hanging upside down..." ops, digo, "Que cheirinho que cheirinho bom. Au Au. Auau. Agora o que era bonzo ficou melhor. Auuuuu. Misture água quente. E sirva pro seu. Cão. A mais deliciosa refeição. Au au."

Isso me lembra que meu avô serviu uma tigela de bonzo para as visitas e todo mundo comeu. Já sei de onde tirei, além do gosto pelo ficção científica, esse malquisto senso de humor.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Banho com Lucia: Cantando na chuva, Psicose e Nitroglicerina Galáctica

Tendo aderido à campanha "xixi no banho", Lucia mostra que entendeu o conceito de créditos de carbono e aplica a idéia à água: se eu economizei fazendo xixi no banho, posso jogar alguns baldes pelo ralo. A idéia só seria melhor se ela usasse a privada, em vez de um sistema de esgoto particular chamado fralda.


Depois, sendo obviamente observada por aqueles robôs Cylons, Lucia se dá conta que o pé do urso estava muito seco e que alguém deveria fazer algo sobre isso. Já era hora do problema dos pés secos de ursídeos tramitarem devidamente no congresso ou ao menos nesta banheira. (inserir piada com a arquitetura de Brasília ou com as chuvas no Rio)


Quase no fim do banho a pequena recebe as ilustres visitas de Mamãe e irmã, designadas para fins deste vídeo como Teletubby e Smurfete. Inspirada, decide que nada como um bom pote de nitroglicerina pra abreviar o banho.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um ano e meio

No primeiro mês a gente comemora as semanas, no primeiro ano os meses e depois que a criança completa um ano só resta uma "comemoração" parcial, a de um ano e meio. A partir daí é só de ano em ano. Mesmo esse Hemi-Niversário eu quase esqueci de mencionar, foi dia 4.

Com um ano e meio a Lucia já ouve tudo, entende quase tudo do que ouve e ignora boa parte do que entende. Que nem o pai. Também sabe o que quer e sabe demonstrar suas vontades e descontentamentos. Que nem a mãe. Também sabe se esconder atrás dos móveis e saltar de surpresa nos gatos. Que nem os próprios. Ela só não aprendeu nada com a samambaia, até porque não temos uma e se tivéssemos o gato teria comido.

Ela e a prima tem praticamente a mesma idade, a Sofia é só um mês mais velha. Enquanto a prima já fala pelos cotovelos e domina um monte de palavras, a Lu tem um vocabulário mais limitado. Mas ela tem uns três quilos a mais e se a Sofia falar demais a Lucia senta nela. Mas ela fala papai, mamãe, mamá, papá, suco, gato, acabou, cocô, tchau, não, banana e somos amigos os backyardigans.

Se há um ano o exercício era "o que significa esse choro", com um ano e meio o exercício é "o que significa esse Não". Ela aponta pro armário das mamadeiras, eu faço uma, entrego pra ela e ela diz Não. Eu pego de volta e ela chora, apontando pra mamadeira. Eu entrego de novo e ela pega e bebe. Percebo que é essencial que ela aprenda a falar sim, então fico andando atrás dela falando sim isso, sim aquilo. "Sim, deixe o cartão da TV no lugar". "Sim papai, obrigado por este magnífico copo de leite". Sim Lucia, Sim. Por enquanto o resultado é zero.

Pra todos os efeitos ela não é mais um bebê e sim uma menina pequena, que corre e ri, que ganha colo e mete um tapa na minha cara, seguido de um abraço apertado no meu pescoço. Ou seja, uma estabilidade emocional digna de, digamos, seus pais.

Mas mais que tudo, assim em como todos os versários, o que mais me espanta é o brilho nos olhos dela, no qual cabem cada vez mais coisas. Ela fala com o olhar e eu, um olhador convicto, fico ouvindo maravilhado a voz dos olhos dela. E o pouco que ela fala ela fala bem. Outro dia mandou uma sequência de "papai"s, cada um de um jeito, foi tão gostoso que meus ouvidos se encheram de lágrimas. Pra variar.

Sobre as vacinas:


Levei Lucia na semana passada pra vacinar da h1n1 no posto de saúde.
Aconteceram coisas.
Esse vídeo aqui dá uma idéia do clima do texto, que estará na edição de Maio da Revista Pais e Filhos. :)

terça-feira, 6 de abril de 2010

A infecção dos memes malditos: eu me apelo urso cômico...

Tal qual uma infecção de piolhos cujo aviso recebemos da escola, ontem foi o dia da inavsão dos memes, que ao contrário dos piolhos, que não temos, mantiveram-se grudados nas nossas cabeças.

Começa com a Maria chegando em casa e contando que na aula de música um amigo pediu pra colocar um vídeo do youtube, ou dois. Assim a infecção memética passou pra classe inteira. Pois maria chegou e pediu pra ver um vídeo do youtube. Deixamos. Como poderíamos saber? Como?

O primeiro deles era um tal rebolation, que eu já tinha ouvido sobre mas nunca o original. E a menina pulava, re-bo-la-tion-tion, e a irmã pequena imitava. Pensei "como vou tirar essa desgraça da cabeça agora?". Mas foi fácil. Porque logo depois ela colocou o outro vídeo que viram na aula, o ignóbil "funny bear". Por bizarrice do acaso era ainda uma versão em francês: Je m'appelle Funny Bear" Quando vi estavam todas as moças da casa cantando e pulando na frente da tv enquanto eu e os gatos, mao-tse-tung e lacan, pasmos, fazíamos o concurso de olhar mais estarrecido. Esse video elas me matam se eu mostrar, mas tem esse aqui versão zumbi, notem como em 1:11 a Lucia tenta escapar mas não consegue e em 1:45 ela aproveita a timidez da irmã para desligar o urso, só para ser hipnotizada mais tarde.


E agora isso grudou na minha cabeça e acho que nem um cotonete em chamas vai fazer desgrudar... E se isso aconteceu nas casas de outros alunos, em breve a cidade toda estará contaminada, que nem o Ensaio sobre a Cegueira, mas sobre a surdez, com a desvantagem de surdez nenhuma. Je m'appelle Funny Bear. Je m'appelle Funny Bear. Je m'appelle Funny FunnyFunnyFunnyFunnyFunny Funny Bear. Ó Deus, mate-me! Agora. já. JÀ!

segunda-feira, 5 de abril de 2010