sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Lucia e seus primeiros pretendentes no BBB

Vida de pai de menina não é só alegria, como podemos ilustrar na nova edição do BBB -Big Baby Berçário. Da última vez que tocamos neste assunto, no post "Lucia e seus primeiros pretendentes", tínhamos três grandes competidores, David, o primeiro amigo da Lucia, Pedro, o que era simpático com o sogro e Lucas, o bonitão silencioso.

Além de inúmeros comments com votos neste, naquele, ou mais frequentemente "todos" ou "nenhum e sim meu filho, vou mandar foto", recebi muitos emails perguntando no que deu isso tudo, emails que respondi com a maior educação, sempre na linha "que as pulgas de mil cães vira-latas infestem os seus sovacos" e outras maldições. Gosto de maldições, uma coisa anacronicamente charmosa, ofensiva mas não o suficiente pra me esperarem na porta de casa com um pau cheio de pregos na mão.

Pois foi com enorme surpresa que esta semana, chegando no berçário, perguntei como foi o dia, e não é que a moça teve a imprudência de me responder "foi ótimo, ela comeu bem, foi ao solário e encheu o Luquinhas de beijos o dia inteiro, maior beijação".

Bom, o David está de férias e não tem aparecido no berçário. Velhos, vocês conhecem o ditado, "foi pra portugal...". O Pedrinho, apesar de recuperado do franken-galo na testa, pode ter perdido o timing crucial. E o Lucas, com seu ar introspectivo, profundo e filosófico, aparentemente foi o vencedor.

E o Prêmio deste BBB é nada menos que um alistamento involuntário na Legião Estrangeira. Au Revoir, Luquinhas! Não se esqueça de escrever!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Se a Lucia é um saci, o que tem no cachimbo dela? Bolhas de sabão?

Chamei e Lucia de Saci e em questão de minutos um ilustre leitor e jornalista, o Fabrício Andrade, já achou que o cachimbo de Saci dela era de crack e mandou a seguinte sugestão. Lucia não fuma crack mas o engano é, afinal, compreensível. A solução permanece muito boa, cortesia dos senhores Wagner e Beethoven e seus psicógrafos. Aliás recomendo a visita.




Lucia, o pequeno saci

Estou neste exato momento, hora da janta, com um bebê que se recusa a sentar pra jantar. Ao invés ela abre gavetas, tira os dvds de dentro das gavetas, tira os discos de dentro das caixinhas e põe os discos de volta na caixa, mas na caixa errada. Pra achar o Bebê Mais temos que procurar dentro de Dead Man, pra achar Barbie e o mundo das Quengas, ou algo parecido, tem que procurar na caixinha do La Jetee e assim vai. Basicamente a Lucia é um saci-pererê, mas um saci de duas pernas, primo menos famoso e mais arteiro que o original. Ela riscou a TV de novo com giz de cera, bem como o chão e o armário. Ganhou duas cadeirinhas e uma mesa de plástico e o que ela faz com elas? Primeiro ela senta na cadeira, toda feliz. Depois põe a cadeira em cima da mesa, e tenta colocar a outra cadeira também, frustrada porque não cabem ambas. Depois vira a mesa ao contrário e senta nela. Então arrasta a cadeira pela casa e a coloca ao lado da grade-portãozinho que instalei na cozinha, estou certo que pra pular, ela odeia ser impedida. Disse pra ela nem pensar nisso e ela arrastou a cadeira de volta pela casa, mas estou certo que ainda pensa nisso. Apavorou o pobre Mao-Tse, que estava na poltrona, escondido debaixo da colcha, pulou de lá em pânico e caiu dentro da caixa onde vieram as cadeiras, que estava ao lado. Lucia ficou batendo na caixa e gritando, ele rosnou pra ela muito severamente e é difícil tirar esse gato do sério. Em poucos anos essa casa vai parecer o Haiti (muito cedo pra piada?).Ela trouxe uma, duas, três bonecas e colocou no meu colo, depois pôs minhas mãos nas suas bochechas e me deu um beijo no nariz. Eu sento pra escrever e agora sim ela quer jantar. Se recusa a comer. Fica pedindo a colher. Dou a colher ela pede o prato. Dou o prato e em minutos o cabelo dela já comeu várias colheradas. Se eu pego a colher e dou na boca ela cospe. Sozinha, enche a boca de colheradas vazias e faz a alegria do outro gato, o Lacan, que espreita por pedaços de carne caídos. Pega comida com a mão e arremessa por aí, inclusive em mim, que não gosto nada disso. Depois bate na comida que está na mesa, que respinga no meu olho. Great. Mas a cara de alegria da pequena saci compensa toda essa imensa sujeira no chão, mesa, paredes e gato, sujeira que vou tentar ignorar até a vinda da empregada no dia seguinte. De resto, banho pra todo mundo, menos pro gato, que se vira.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Da série: videos que horrorizam a mãe do bebê.

Depois do bucólico balançar, o video passa uma errônea impressão que a criança caiu do balanço, quando na verdade sua habilidade em descer das coisas não para de evoluir, mesmo que desajeitadamente.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

E pra terminar a semana: Superstar

Um post que eu jamais gostaria de escrever: a primeira doença razoavelmente grave da Lucia

Passamos aquelas férias deliciosas na praia, onde também se encontravam miríades de insetos sugadores de sangue, que por sua vez não estavam nada de férias. Ano passado as picadas de mosquito na Lucia formaram bolinhas vermelhas que demoraram a passar mas enfim passaram. As picadas deste ano seguiram o mesmo rumo, porém sem desaparecer. Quando voltamos à São Paulo elas começaram a piorar, apareceu um pontinho de pus, depois começaram a endurecer em volta e formar os tais platôs.

Nosso excelente veterinário, digo, pediatra, sugeriu após consulta telefônica um creme antibiótico. Se ele abrisse um serviço de 0300 ele seria um homem rico. O problema melhorou mas não sumiu, então levamos pra ele ver. Ele achou por via das dúvidas que seria melhor um dermatologista olhar.

A essas alturas a mais feia das lesões, a do tornozelo, parecia aquelas coisas que aparecem em perna de mendigo, quando a perna sai por debaixo do cobertor sujo. Fomos pro dermatologista e como se fosse um episódio de House, seguiu-se um diagnóstico diferencial e reduzimos para duas opções:

- Ectima: Os bebês nascem desregulados, alguns com imunidade de menos e outros com imunidade demais. A lucia seria esse segundo tipo, e sua super-imunidade-wolverine-desregulada criou uma lesão que deixou a pele vulnerável a streptococos que residem na própria pele, que infectam ao coçar. Coçar ainda serve para semear a infecção em outras partes da pele, responsável pelo surgimento de novas lesões. Tratamento com creme com corticóide e antibiótico local.

- Leishmaniose. Quase surtei na hora achando que pudesse ser algo ainda pior, como lepra, mas era somente a horrível e temida "úlcera de bauru", descoberta quando da abertura da estrada de ferro pelas matas de bauru, onde vivia o causador desse porcaria. Pra saber se era isso teríamos que fazer uma biópsia. Biópsia pra quem não sabe é arrancar um pedaço vivo de você pra levar pra um laboratório e criar um exército de clones, ou algo assim.

Então na linha House de tratamento, resolvemos escolher a doença com tratamento mais suave e ver se funciona. Disse o médico algo parecido com "imagina se a gente faz a biópsia, sendo necessário dopar o bebê, amarrar o bebê, cortar fora um pedacinho de bebê (sem anestesia local, ao que parece) e traumatizar pra sempre o bebê, só pra descobrir que poderia ter curado com creminho?"

O lado bom é que ambas são curáveis. Tem uma pequena chance de deixar marca, mas como as lesões não são profundas, pode não deixar nada ou algo quase imperceptível. Já estamos tratando com creminho e os machucados regrediram consideravelmente. A pequena está ótima, bem-humorada, testando seu giz-de-cera no armário da sala e na tv de lcd e a lesão mais incômoda é no pobre coração de seus pais.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sobre os pais solteiros

Diz o ditado que é preciso toda uma aldeia pra criar uma criança. Nada mais verdadeiro. Aí por pura serendipidade cheguei em um blog chamado Manual do Pai Solteiro, de um camarada que tendo se separado, aventurou-se na guarda compartilhada. As situações que ele descreve são bem interessantes e posso até usar algumas dicas pra impressionar minha amada, "olha como eu sei instruir bem a empregada! Agora ela engraxa tudo, até camurça". Alguns problemas de pai solteiro valem pra qualquer pai sozinho no shopping com uma pequena, como a falta de banheiros públicos mistos pra ele entrar com a filha, já que não vai levar a pobre no banheiro masculino e nem sempre ele é bem-vindo no feminino, muitas vezes dependendo da caridade de estranhas pra filha dele sair de lá aliviada e limpinha. Outras situações são mais específicas, como babás que não dormem em casa de pai solteiro e mais ainda, babás que se assustam com barulhos à noite e estão na sua cama quando você acorda. Se fosse lá em casa a Ana ia ter um treco e falar "como se já não bastassem esses malditos gatos hiperativos na cama me arranhando o calcanhar a noite toda". Aliás meus gatos, ou mais exatamente, Lacan, o pequeno sequelado, deu um escândalo tão grande essa noite que até acordou a Lucia e enquanto eu fazia ela dormir de novo eles resolveram arranhar a porta do quarto dela fazendo aquele barulho assustador e ela ficou apavorada, se eu fosse um bebê eu não dormia mais depois disso, mas a Lucia é mais corajosa que eu, e tendo explicado que era só o gatinho dizendo que está com saudades ela pareceu sossegar. Aí eu deixei a porta do meu quarto aberta pra ele não arranhar pedindo pra entrar e o que o safado faz? Fica arranhando a porta aberta. Que ódio, que ultraje. Enfim, vale a visita lá no Manual pra conhecer melhor a vida de quem resolve sair da piscina gelada pra encarar o vento lá fora.
Pais de todo mundo, solteiros ou não, zumbi-vos!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O que as crianças fazem se você não impedir?

Respondendo à velha dúvida "o que fazem os bebês se você deixar", fui ver o que a Lucia aprontaria ali na cozinha, já que ela estava insistindo pra eu abrir o portãozinho e deixar ela entrar. E o que fez a molécula?
Lucia foi até a vasilha de comida de gato, tirou um elástico e um pedaço de papel alumínio que estavam lá e me deu-os na mão (por alguma razão eles sempre fazem isso, O mao-tse-tung é louco por elásticos de cabelo e rouba-os de onde for pra colocar na vasilha), pegou um grão de ração e tentou dar pro Lacan, o gato, que fugiu~sem pestanejar. Se ela tivesse tentado dar um pedaço de presunto teria muito mais sucesso. Depois pegou mais um punhado de ração, mais do que cabia na mão e tudo caiu no chão. Ela olhou pra bagunça e catou um por um, colocando-os de volta na vasilha. Olhou bem, pegou mais um punhado, foi atrás do gato, deixou cair tudo no chão de novo, achou que desta vez estava bom e foi tentar abrir a geladeira.

Aliens pulsando sob a pele

As pequenas picadas de borrachudo que a Lucia levou na praia, apesar do uso de repelente, não apenas não foram embora como cresceram. Depois que voltamos pra são paulo a pele em volta delas começou a ficar dura e com feridas. Duas picadas que eram próximas como uma mordida de vampiro já se uniram em um único platô. De uma picada na cintura tem uma mancha vermelha subindo torax acima. É de doer o coração. E quando você olha de perto, os machucados fica mudando de cor junto com a pulsação, vermelho e branco, vermelho e branco.

O pediatra olhou e sugeriu que um dermatologista desse uma olhada, por segurança. De resto a Lucia está ótima, dentro das curvas normais de crescimento e desenvolvimento. O ponto positivo é que com isso consegui descobrir o verdadeiro pai da Lucia, de quem ela herdou seus poderes de camuflagem e pele de pixel, um cuttlefish (são cefalópodes impressionantes, que usam sua camuflagem não só pra se esconder como pra hipnotizar camarões antes de atacá-los):



Eu tenho minha vingança pronta: na próxima viagem, em vez de estapear tais estapafúrdios insetos, vou espirrar repelente neles, que não vão morrer mas passarão o resto de suas curtas vidas como párias, repelindo seus parentes, amigos e morrendo na maior solidão.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Luciópatra em: Walk like an egyptian (o-ue-o)



Adendo:
Lucia,
você vai perguntar de onde veio essa música então deixa eu me adiantar: em 86 eu tinha doze anos e os cabelos e roupas eram todos bizarros mesmo, acredite. Eu deixo você ver o clipe original se você prometer que, se voltarem à moda, você não vai usar aquelas calças na altura do umbigo, seria motivo de grande desgosto pro papai. Combinado?
Então pode assistir às simpáticas moças do Bangles em http://www.youtube.com/watch?v=o8H3Ess19IQ

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um breve descuido e uma cena que só não era mais bonitinha pelo imenso potencial de tragédia agregado.

Mais exploradora e aventureira que nunca, a pequena Lucia quer engolir o mundo todo de uma vez, com seus sabores, sensações e lugares altos. Ontem ela estava tentando fechar uma dessas travinhas de segurança e conseguiu, mas prendeu o dedo e saiu até sangue. Chorou por quinze segundos, magoada. No minuto seguinte estava tentando fechar a travinha de novo. Esse é o perfil dela.

Aconteceu dois dias atrás que eu estava instalando um portãozinho de segurança entre a sala e a cozinha. A empregada estava na área de serviço. Todas as portas dos quartos estavam fechadas. Ou até acho que estivessem antes da empregada passar por elas. Enquanto estou ali lutando com o portão a Lucia fica assistindo, divertida. Nem trinta segundos depois, portão um renato zero, ouço um chorinho e noto que a Lucia não está mais assistindo. Pânico.

No quarto da Maria tem uma cama como se fosse um beliche, com um escorregador pra descer, escorregador esse muito, muito íngreme. E não é que a pequena estava lá no alto, sentada, virada pra frente e prontinha pra descer?! Ainda bem que antes de descer ela percebeu o perigo e ficou com um pouco de medo e soltou o tal chorinho. Na hora me deu uma sensação gelada de parada cardíaca e minha fértil imaginação em segundos percorreu todas as inúmeras possibilidades de acidentes catastróficos. E se ela cai ali de cima? Meu deus, que medo, quantas tragédias em potencial. Mesmo se ela tivesse simplesmente escorregado poderia acabar se machucando, preferia nem imaginar mas não consigo. Tirei ela dali como quem tira um bife de um viveiro de tigres famintos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Lucia vende a vaca da família em troca de um punhado de feijões supostamente mágicos

Fast forward: mãe, vaca-arrimo, mercado, feijões mágicos, snifs, zzzz, pé de feijão, nuvens, casa do gigante.
Ao chegar na terra das nuvens, Lucia encontra uma casinha de boneca descomunal. O primeiro passo é abrir as janelas e deixar entrar um solzinho. Bem melhor. Folhas na pia, interessante. Bom verificar se o gás do fogão está bem desligado, a cozinha pode estar infestada de poetas. Tábua de passar roupa? Sai de mim. Deixa eu sentar um minuto, a escalada foi exaustiva. Ei. Quem é você? Certamente não é a harpa que canta bem. Mamãe? Não é a mamãe. Nenhum ovo de ouro aqui tampouco. Mesmo assim vou abraçar seu joelho. Pia, fogão, janelas, portas e tábua de passar roupa... Mais nada? Que é isso, casa de boneca dos anos 50? Que tipo de valores a filha do gigante estaria aprendendo. As gigantas são tão aptar a farejar e arrancar a cabeça de humanos quanto os gigantes. Falando neles, cadê? Trancados com a harpa e a galinha, de novo? Olha, uma folha no chão. Vou colocar junto com as outras folhas. Espera, essas são pequenas e secas, essa outra é diferente. Tira! Quem colocou esse lixo na minha salada?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Bebês trocados na praia

Blog de filho é quase que nem filho, dá trabalho pra fazer direito, depois demanda tempo e energia e a qualquer momento se você não alimentar ele morre de fome. Hoje quebramos o jejum com um pequeno post, pra ninguém sofrer de indigestão. 2009 foi o ano da Lucia bebê. 2010 conta com uma pequena criança que entende uma quantidade inacreditável de coisas sobre o mundo, uma irmã mais velha que migrou dos contos de fadas pros contos de Grimm, dois gatos muito ressentidos pela ausência dos donos no ano novo e pais tão corujas que só nos falta comer ratos de madrugada.

Feliz 2010 pra todo mundo!




(burp)