quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Lucia e seus primeiros pretendentes...

...Ou "meu pai é louco e fica projetando coisas".

Aqui vemos alguns dos coleguinhas de berçário da pequena.
David à esquerda, Lucas no centro e Pedro à direita.

O David foi o primeiro coleguinha com quem ela brincou no berçário.
Ele é bem alegre, divertido, boa companhia e chegou primeiro.
Ser o "melhor amigo" pode ser uma vantagem ou não. Provavelmente não. Como ele estava amarrado na cadeirinha, não veio me receber na porta. Ponto negativo mas tudo bem pelo seu histórico de boa-praça.



O Lucas e o Pedro por sua vez vieram até a grade, estrelinha pra eles.

O Pedro foi o último a entrar para o berçário mas ele tem uma vantagem enorme sobre os outros: ele sempre sorri pra mim.
De todas as crianças do berçário as quais eu não tenho participação em sua produção, (oficialmente todas menos a Lucia [não me morda querida, extra-oficialmente também viu?]) ele é o que sempre fica feliz quando me vê e gosto dele por isso.

Deve ser a sensação que as outras pessoas tem quando vêem a Lucia, que é o sucesso do elevador, todo mundo ganha um sorriso aqui no prédio e sai flutuando em nuvens, eu deveria cobrar por alegrar o dia de todo mundo com minha filha.

Mas por gostar de mim é capaz que ele perca pontos com a Lucia, vocês sabem como são as meninas, se eu gostar de todo mundo capaz dela sair com o cachorro.



E tem o Lucas. Ele é muito sério e fechadão, nunca sorri (ao menos pra mim), fleumático e perdido em pensamentos profundos.
Como ele se expressa pouco eu não sei bem qual é a dele.
Mas o bicho é bonito que só vendo! Um olho azul impressionante.
Se a Lucia escolher esse aí ela vai ter muita competição e pouca tranquilidade.



E aí, o que vocês acham? Alguma preferência?
Façam suas apostas e deixem seus votos nos comments!

Disclaimer: já aviso que quem vai ganhar a aposta é a banca, que eu vou expulsar essa turma toda da cidade em tempo hábil.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ter filhos gera curiosas distorções no tempo e no espaço

Fui dormir exausto e no meio da madrugada um desgraçado inconsequente fica me ligando. O telefone estava na sala e eu estava sem condições de ir atender, então apenas amaldiçoei o ser humano e todos os seus ancestrais e torci pra que não fosse nada sério. No dia seguinte, ainda resmungando, fui ver quem era e tive duas surpresas: uma é que o cidadão em questão era aquele mesmo que me inspirou a escrever as histórias do Cachaça e que andava deveras sumido.
E a outra, para meu grande espanto, é que não eram nem dez da noite! Estou a ponto de cochilar até no trânsito esperando o sinal abrir...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Little Garfield.

Liguei pra escola avisando que ia atrasar, pra elas darem algum tipo de sola de sapato pra Lucia. Avisei a Ana, que como uma boa mãe também ligou pra escola em seguida (às vezes me sinto pouco útil) e perguntou o que iam dar pra ela. Banana, disseram. Ana explicou que seria pouco e que a Lucia ia morder a mão de algum amiguinho (soa familiar?). Aí deram pra ela a lasanha do primeiro ano. A mocinha se esbaldou tanto que nem quis a mamadeira noturna. Mas sacanagem chamar ela de Garfield né... Todo mundo sabe que, naquela história ela seria o Nermal. Ou a Arlene, deixando o cargo de Nermal para o Lacan, esse sim gato fofo por profissão - especialmente depois do derrame, ele fica com a cabeça meio inclinada e todo mundo acha que ele está pagando de lolcat. Derrame ou sem derrame precisa ver a agilidade com que ele foge da Lucia ou tenta roubar a comida dela, gato folgado. Taí. O Lacan é um cruzamento entre o Garfield e o Nermal na Ilha do dr Moreau.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Apareça em casa com apito ou tambor e meus felinos selvagens vão arranhar seus olhos

Como todo mundo sabe, quem presenteia filho alheio com instrumentos musicais é um baita sádico, canalha, fdp, pulha, biltre, miserável espírito de porco. Chocalhinho até vai, mas tambor, apito, corneta e afins é razão pra ir direto pra lista negra, quando não para o inferno. Em um assunto relacionado minha enteada de oito anos trouxe pra casa um pianinho (órgão eletrônico? sintetizador? teclado? tralha chinesa?) que ela ganhou no aniversário passado. Devem ter cansado lá na casa do pai dela e mandaram pra nós. É um daqueles teclados hello kitty, que se você deixar faz música sozinho. E ele sempre liga com volume máximo, esse simpático default de fábrica.

Aliás foi um presente do pai dela, que não só não é um sádico nem nenhuma das ofensas supracitadas como é um cara muito legal e a gente se dá super bem. Coisa muito rara e que não é pra qualquer um.

Aí engatinhando no corredor a pequena Lucia encontra o teclado em uma prateleira e o traz cuidadosamente, cof cof, ao chão. Ligo pra ver se funcionava ainda... e não é que ela se empolgou? ficou apertando (esmurrando?) as teclas, descobrindo os sons, chegou até a ligar o acompanhamento e improvisar um solo em cima, não se esquecendo de incluir voz e percussão.

Fico pensando nas possibilidades de tudo isso... No pior cenário eu vou comer de graça em alguma churrascaria.

O video ficou um pouco escuro (câmera do celular, pouca luz, flash tosco) mas vou fingir aqui que foi de propósito, uma coisa assim para criar aquele clima Piano in the Dark.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dormindo como um bebê

Eu sempre fui coruja, de passar as noites acordado e ter muito sono de manhã. Essa última continua, mas agora tenho tanto sono de noite que durmo assim que aparece a oportunidade. Tirando alguns dias em que eu acabo empoleirado em cima do berço, corujando a pequena que dorme o sono dos que tem a alma leve. Nesse período recente a Lucia tem acordado duas ou três vezes de madrugada...
O que me lembra aquela famosa historia do empresário que foi à falência e abandonado pela mulher. Pergunta o amigo "Você está muito abatido. Está se alimentando direito? consegue dormir?" "Durmo como um bebê", ele responde. "Durmo meia hora, acordo, choro, durmo mais meia hora, acordo, choro..."

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lontras, mendigos bêbados e mães selvagens

Tudo começa centenas de anos atrás, com a domesticação das codornas, ou milhões de anos atrás, com a presumida domesticação dos bebês. Seguindo essa tradição, Lucia, que pertence ao segundo grupo, comeu ontem pela primeira vez um ovinho de codorna.

Meia hora depois sento a pequena na cadeirinha pra ela acompanhar o jantar da irmã e se sentir participante. Aproveito e dou um ovinho na mão dela, que o devora como uma selvagem. Achei que ia engasgar e que seria necessário desentupi-la com roto-rooter, mas bebê tem que aprender a comer né. Ela mesma deu um jeito, cuspindo um pedaço no chão que se juntou aos outros que caíram esfarelados. Como caiu dei mais um, é a coisa mais linda ver essa menina comendo com as mãozinhas, parece uma lontra.

Aí dona mamãe chega do trabalho e aproveito pra limpar a sujeira de ovos no chão. Sem ter a importante e necessária sujeira como indicador, mamãe tem a mesma idéia genial, de modo que lontrinha come mais três ovinhos. Chegada a hora de dormir, zureta de sono, toma meia mamadeira e capota no berço tal qual um mendigo bêbado.

Lá pelas onze ela dá uma choradinha e pára. Em geral a gente deixa, porque ela volta a dormir sem precisar de atenção, às vezes só de entrar no quarto ela olha e, sentindo-se novamente segura, cai de cara na ovelhinha de pelúcia, adormecendo no meio da queda. Mas dessa vez fui ver.

Encontro a Lucia vestindo o capuz da blusa, sentada no escuro e dizendo coisas ininteligíveis, parecia o Charlie do Lost na fase heroína. Verifico a fralda e sinto um molhado na roupinha. Afasto a mão sem querer e sinto um molhado extenso na cama. Penso “putaquepariu será que o bebê está derretendo ou é a maior diarréia do planeta?”

Acendo a luz e vejo horrorizado que ela estava completamente vomitada, a cama, a ovelhinha, a proteção do berço, tudo encharcado, vômito no cabelo, olho, nariz, orelha; uma cena de partir o coração.

Calmamente chamo: “gatinha, vem aqui um instante, sim?”. Ela arregala os olhos e logo vai lavar a Lucia no banheiro enquanto eu esquento água pro banho. Como mãe que é mãe ou sente ou inflige culpa (ou ambos), ouço a Ana ralhando consigo mesma, ela que é sua juíza mais severa, pedindo desculpas à Lucia até pela mera existência das codornas.

Eu digo que precisamos dar água pro bebê, pra não desidratar. Ela pede pra ligar pro veterinário. Nos segundos que levo pra achar o telefone na agenda já levo uma bronca por estar demorando muito pra ligar. Explico ao bom doutor que ela comeu muito ovinho e vomitou mas parece ok. Ele diz que o importante é não desidratar e se precisar pode dar Dramin. Sou obrigado a perguntar se é possível que ela tenha aspirado vômito com consequências pavorosas. Ele diz que é possível, mas que é muito raro, que acontece mais com pessoas em coma. Mamãe fica com raiva de mim e do médico. Acho que ela esperava ou “impossível” ou “leve-a já ao hospital”

Tentamos dar água de coco, mas a bebê vomita de novo, em jorros e eu horrorizado pensando como é que cabe tanta coisa dentro de um bebê tão pequeno. Será que ela guardou vômito em um portal intradimensional, especialmente pra soltar tudo nessa ocasião? Será que ela é oca e dentro dela é tudo estômago?

A essas alturas dona mamãe está muito brava e irritada. Na quinta patada que levo explico que o foco tem que ser o problema da Lucia e não a reação materna a isso. Ela rosna ameaçadoramente pra mim, que não tenho senso de oportunidade algum.

Lucia dá umas risadas e parece sinceramente aliviada. Entendo bem isso, nada melhor que a sensação de não precisar vomitar mais. Quantas noites não dormi abraçado de conchinha com a privada?

Compelido a ligar novamente pro médico, conto que vomitou de novo e pergunto o que fazer se vomitar o remédio. A Ana fica emputecida de eu dizer pro médico que a pequena parece melhor, dizendo que odeia como eu atenuo as coisas, e que a Lucia pode ser sub-tratada por causa disso. Respondo que eu é que odeio como ela exagera as coisas, que a Lucia pode acabar sendo over-tratada por isso e que imaginar uma possibilidade não basta pra que seja uma preocupação válida.

Lucia, bem melhor mas zonza de sono, recusa-se a beber qualquer coisa e adormece no colo da mãe. Tento pegar a bebê pra levar pro berço e quase perco a mão. Dona mamãe fica as próximas duas horas com a pequena no colo, fazendo carinho e rosnando pra quem chegar perto. Por fim resolve dormir na sala, com a bebê no cercado, por via das dúvidas.

Comento que a pequena estava um pouco fria e pálida (olha que burro) e ela logo pega o telefone pra ligar pro médico “a bebê está fria e pálida!!!” Tento explicar que a parte dela que está coberta está quentinha, e qualquer um que vomitar desse jeito fica pálido mesmo, mas preocupação de mãe é uma coisa límbica, de cérebro reptiliano. A razão só vem alguns cérebros evolucionários depois e não pra todo mundo. O pediatra, tendo sido informado da quantidade exata de ovinhos, disse entre um bocejo e outro que achava que não era suficiente pra ela passar mal, e que pode ter sido excesso de comida mesmo.

Deitamos ambos no sofá, olhando a pequena dormir. Aliviada por não se sentir mais a causa do revertério, dona mamãe pede desculpas por ter sido tão agressiva. E eu, feliz por estarem finalmente ambas bem, durmo como o amigo do mendigo bêbado, aquele que fugiu com a garrafa de cachaça e desmaiou no viveiro das lontras.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Papai é Wireless

e mamãe é a cabo.

Fui seguindo links por aí e acabei no blog do Souzacampus,
Pai de Menina.
Ele é um ilustrador de primeira, com traços muito legais e textos bem escritos.
No blog dele tem uma tirinha vertical que mostra as etapas da filha dele, Luisa, de espermatozóide a menina de três anos que vai pra escola de mochilinha, confesso que fiquei emocionado. Vale uma visita.

Esse aqui me deixou estupefato, é como eu me sinto com a Lucia...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Se os pais ensinam palavrões cabeludos, as mães ensinam o quê?

- A pentear o cabelo. Cabelo bonito, sabe o pavão, é vantagem competitiva.
- Que catar piolho no outro, mais que um ótimo complemento nutricional, forma vínculos e reforça laços sociais.
- Que "obrigado" e "por favor" funcionam melhor que "AAAAAA!" e "CUNHÉÉÉ!".
- Que se você bobear vão levar seu precioso pente e em troca de um rolo de fita crepe qualquer.
- E mais tudo aquilo que está no manual secreto que passa de mãe pra filha sem que os homens jamais saibam.



terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pai e Assassino

Não estamos falando do velho Abrão, com a faca levantada sobre o peito de seu filho Isaac, que só parou porque um "anjo" apareceu e dissse "não faça isso, era brincadeirinha do chefe, caceta! Velho bíblico sem senso de humor...". Não, falamos aqui do pre-air da nova temporada de Dexter, que vazou na internet como se fosse uma fralda muito cheia.

Pois nosso querido assassino serial agora é pai de um bebê que não dorme, o que seria razão suficiente pra começar a matar as pessoas, se já não trouxesse consigo esse hábito. Em um dado momento ele confessa ao bebê "papai é um assassino serial". O bebê apenas faz cara de "suquilhos?". As mães não sabem, mas a gente conta cada coisa pro bebê...

Algumas mães, aliás, sabem: Um dia meu amigo e mentor, o Lobo da Jangada, levantou de madrugada para atender sua linda filha. Levantou com tradicional e monstruoso mau-humor e foi resmungando "puta sono, porque essa desgraçada não levanta pra variar, pqp viu..." e claro que nessa hora, do quarto do casal, vem o grito: "você pare de falar essas coisas pra ela!!! eu tô ouvindo tudo na babá eletrônica!!"

A babá eletrônica, verdadeira araponga infantil, deve ser responsável por mais divórcios que o orkut. Isso até o dia que inventarem a telepatia. Aí não vai sobrar pedra sobre pedra!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Uma bebê é como uma planta, exceto que não combate zumbis.

Você tem que regar bastante mas não demais, pra não afogar.
Você tem que conversar sem esperar resposta, mesmo que te achem louco.
Você tem que evitar que seja esburacada por bichos.
Sua vida envolve lidar com adubo.

mas olha como é legal:
Tinha uma sementinha com peso insignificante que morava no meu saco.
Nove meses depois disso aparece um brotinho barulhento de quase três quilos.
Em menos de um ano ela triplica de peso e vira uma linda flor.
E florzinha, às vésperas de completar onze meses, aprendeu a dar abraço!
Dá vontade de chorar de tão bom que é...



(Na próxima foto a balança vai estar vazia e a bebê correndo à distância.)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O fim da paranóia mundial

Depois de quase dois meses sem escolinha, decretamos o fim da gripe, ou ao menos, dessa situação de sermos reféns dela. Mais um pouco e desenvolveríamos Síndrome de Estocolmo!

Seguindo exemplo de pioneiras como Amelia Earhart (primeira mulher a cruzar sozinha o atlântico em vôo solo), Helen Keller (primeira mulher nascida cega surda e muda a falar, se formar em filosofia e se tornar escritora, conferencista e ativista social) e Lilith (além de primeira mulher, primeira a querer fazer sexo por cima do homem e primeira a largar o marido bundão) a pequena Lucia foi a primeira a sair da escolinha, antes mesmo que isso fosse oficialmente recomendado. (ok, ok)

Nesse meio tempo ela recebeu cuidados da vovó Celiane, tão cuidadosa que em vez de passar lencinho lavava com habilidade a bebéia na pia a cada troca de fraldas, e em outros dias do sogrão Eugen, o Totó, digo, Tata (que quer dizer vovô em ogro, digo húngaro). Meu sogro aliás é daqueles que ajudam com a louça, ensinam xadrez pras netas e emprestam bons livros de ficção científica.

Todas as visitas foram embebidas em álcool, e em certos casos gostaríamos de ter acendido um fósforo também.

E assim Lucia voltou hoje para a escolinha, feliz da vida e munida de seu sorriso radiativo de dois dentes. Depois de entregá-la à berçarista, fomos embora tranquilos: a Lucia ama a escola e a recíproca parece verdadeira.