Fomos escolhidos para ser a família feliz de uma conhecida marca de cosméticos naturais, wink wink, que vai lançar uma nova linha de produtos para grávidas. Recebemos um email dizendo que estavam procurando uma grávida de oito meses, que já tivesse uma criança e um pai presumido. Fomos no teste, passamos e ontem foi o dia das fotos, em uma mansão maravilhosa em Alphaville, pé-direito de uns sete oito metros de altura, vidros, do jeito que eu gosto. Parece que querem vender por sete milhões. A Gisele Bundchen, que estava tirando fotos lá na semana anterior, disse que pagaria no máximo dois.
Aí fomos pro figurino. Imagine alguém que, na maior parte do tempo, prefira usar preto. Esse sou eu. Imagine no outro lado do espectro aqueles loucos de cultos estranhos que só usam branco, acho que médicos e maharishis. Em algum lugar à esquerda do centro tem as roupas khaki, estilo Richards. Pois é, entre a Richards e os loucos de branco, bem no meio, estava o meu figurino. Isso somado ao fato que abaixaram o meu topete, e que fiquei meio quieto durante o dia, passei a ser chamado de Anti-Rê.
A Minha parte do job não podia ter sido mais fácil - sentar no sofá e ser natural com a Ana, Maria e a barriga, enchendo-as de beijos e carinhos. Acreditem, fui pago pra ir a uma mansão beijar minhas meninas. E o almoço estava bom.
A Maria achou um barato seu primeiro trabalho de verdade, e também teve um choque de realidade, já que as aulas de teatro que ela faz são muito mais legais. No fim acho que ela não gostou tanto do fotógrafo ficar falando pra ela fazer isso, fazer aquilo, beijar mais devagar, etc. Mas também teve seu cachê, que vai virar uma poupança pra faculdade ou o que quer que ela queria fazer com isso aos 18 anos.
Já a jornada da Ana e da Lucia foi bem maior, dois dias e mesmo no segundo dia a maior parte do trabalho foi delas. No final do dia a Ana estava com dor e achando que a Lucia já ia nascer, mas era alarme falso. Sinal que foi cansativo mesmo.
E assim, numa época em que mesmo com um monte de empregos e trabalhos em paralelo, estávamos muito preocupados com conseguir pagar todos os custos, a pequena Lucia saiu na frente, cercada por uma linda barriga, e cobriu todos os custos do parto, assegurando uma chegada mais tranquila, ou no mínimo, um whisky melhorzinho pro parto em casa. Lucia, o bebê que antes de nascer pagou o próprio parto.
Mas se alguém me ver em propaganda de margarina, pode me trazer a cicuta que eu tomo. A não ser, é claro, que a propaganda de margarina pague bem. Escola também é cara.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Samuel para Presidente!!
Samuel, meu sobrinho de dois anos que mora em Miami, toca bateria (video em breve! aposto que ele toca melhor que eu, que mal consigo estalar os dedos no ritmo), fala português em casa, inglês com o pai e espanhol na escola. Não sei como não embanana tudo, já que mesmo eu quando volto de viagem acabo por algumas semanas falando um português bastardo. Ontem, por iniciativa própria, ele largou a chupeta. I kid you not. Um guri de dois anos de idade, sentado à mesa do jantar, emitiu um pronunciamento no qual diz que já é "gandinho" e que não vai mais usar a chupeta, que junto com seu urso teddy, foi sua companheira inseparável em todas as noites até então. Foi lá e jogou a chupeta no lixinho do quarto, orgulhoso. Não conseguiu dormir a noite inteira, começou a chorar lá pela uma da manhã mas não voltou atrás na sua decisão nem foi buscar a chupeta no lixo. Se eu fosse minha irmã ou meu cunhado, escondia imediatamente a chave do carro, trancava o armário de bebidas e abria o olho se ele uma hora pedir uma caixa de balões de festa, lubrificados.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Parto em casa, feito pelo pai, inclusive cesária.
Ontem a Lucia se mexia de tal maneira que me pareceu claro que ela quer nascer logo. Era como um gato dentro de uma sacola, não que eu tenho visto muito disso. Como se fosse um bebê fora da barriga, esperneando, mas dentro da barriga. Na minha visão antiga, a existência começa no nascimento, e até lá o bebê ficaria, sei lá vegetando, soprando bolhas de sabão. O bebê após o nascimento é igual ao bebê antes do nascimento, com diferença de algumas horas e um processo excruciante que é nascer. Isso parece óbvio, mas assim como eu meus amigos ficam chocados ao perceber o grau de atividade que um bebê de nove meses tem. Ontem, posso jurar, a Lucia estava com soluços, ou algum outro tipo de espasmo periódico cujo efeito parece severamente com soluços. Como ainda não temos autorização do convênio pra fazer o parto, se a bolsa estourar eu mesmo faço esse tal de parto. Puxa, gira, tira um ombro, o outro, e voila! eu sei fazer parto. corto o cordão com os dentes. Se for cesária talvez eu precise de ajuda na incisão, talvez uma tetrachave pra usar como bisturi. E barbante, acho que precisa fechar depois. E plug de ouvido, que gente gritando me dá dor de cabeça. Como anestésico, whisky, mas só pra mim.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
De onde vieram os alemães
Quando eu era criança, aprendi tudo com "De onde viemos". Achava ótima a cara do espermatozóide careca, e tinha todo aquele tom de "o papai e a mamãe se gostam muito, então dão um abraço que faz cócegas". Recebi estes dias, em mais um maldito forward de email, uma espécie de versão alemã que com prazer apresento e traduzo aqui, fluente em alemão que sou:
1a) Um bebê gigante pré-existe no limbo, escondido atrás de um lago
1b) Um casal com péssimo gosto para vestuário fica dando-se tapinhas nas costas por terem um gosto tão parecido e ruim.

2a) o casal resolve aderir a uma colônia de nudistas, uma vez que estavam cansados de serem importunados pela polícia da moda.
2b) A colônia nudista tem pouca comida. O casal prepara-se para comer a língua ou os beiços um do outro. Isso é muito natural, e um sistema de travamento entra em ação, para evitar que qualquer um dos dois fuja nessa hora.

3a) A polícia da moda não entra na colônia de nudistas, que foi decorada por pessoas com o mesmo gosto para roupas que o casal em questão. A cama foi feita em macramê, o que quer que seja isso, por um alemão sem-talento. admirador do igualmente ruim Romero Brito.
3b) slide incompreensível. Aparentemente o homem acha que sua mulher é oca e tenta preencher seu vazio, mas falta-lhe conteúdo. Talvez se beber mais água.

4a) Enquanto papai e mamãe trocavam olhares o bebê saiu do limbo e esgueirou-se para dentro da mãe. Ao perceber isso eles apertam a bunda um do outro congratulatoriamente
4b) Então Adão e Eva se deram conta que estavam nus e cobriram suas vergonhas com roupas ainda mais vergonhosas

5a) Papai pega o Volkswagen do amor usado naquele filme "os idiotas" e leva mamãe, que tem se comportado estranhamente, para o reformatório
5b) O dono do reformatório fica empolgado, as noites são frias. Mas ele nota um estranho calombo e pergunta se ela está feliz por vê-lo ou se tem um barril no bolso.

6a) o dono do reformatório fica com o martelo na mão, se preparando pra acertar qualquer toupeira que saia do buraco, desse modo ganhando tickets que podem ser trocados por prêmios como lápis com grafite quebrado e rolo de durex.
6b) O bebê é um exibicionista que acha que o mundo gira em torno dele, e já nasce partindo pro abraço. Papai tem um surto de paralisia psicótica e o dono do reformatório prepara-se pra eletrocutar o bebê (ou chicotear a mãe - o texto no alemão é ambiguo e não deixa isso claro)

7a) mamãe pássaro sabe que é hora de seu filhote sair do ninho e aprender a voar. Papai consegue segurar o bebê antes que ele se esborrache. O dono do reformatório sugere haldol, e roupas.
7b) papai e mamãe saem felizes rumo ao mercado negro.
1a) Um bebê gigante pré-existe no limbo, escondido atrás de um lago
1b) Um casal com péssimo gosto para vestuário fica dando-se tapinhas nas costas por terem um gosto tão parecido e ruim.

2a) o casal resolve aderir a uma colônia de nudistas, uma vez que estavam cansados de serem importunados pela polícia da moda.
2b) A colônia nudista tem pouca comida. O casal prepara-se para comer a língua ou os beiços um do outro. Isso é muito natural, e um sistema de travamento entra em ação, para evitar que qualquer um dos dois fuja nessa hora.

3a) A polícia da moda não entra na colônia de nudistas, que foi decorada por pessoas com o mesmo gosto para roupas que o casal em questão. A cama foi feita em macramê, o que quer que seja isso, por um alemão sem-talento. admirador do igualmente ruim Romero Brito.
3b) slide incompreensível. Aparentemente o homem acha que sua mulher é oca e tenta preencher seu vazio, mas falta-lhe conteúdo. Talvez se beber mais água.

4a) Enquanto papai e mamãe trocavam olhares o bebê saiu do limbo e esgueirou-se para dentro da mãe. Ao perceber isso eles apertam a bunda um do outro congratulatoriamente
4b) Então Adão e Eva se deram conta que estavam nus e cobriram suas vergonhas com roupas ainda mais vergonhosas

5a) Papai pega o Volkswagen do amor usado naquele filme "os idiotas" e leva mamãe, que tem se comportado estranhamente, para o reformatório
5b) O dono do reformatório fica empolgado, as noites são frias. Mas ele nota um estranho calombo e pergunta se ela está feliz por vê-lo ou se tem um barril no bolso.

6a) o dono do reformatório fica com o martelo na mão, se preparando pra acertar qualquer toupeira que saia do buraco, desse modo ganhando tickets que podem ser trocados por prêmios como lápis com grafite quebrado e rolo de durex.
6b) O bebê é um exibicionista que acha que o mundo gira em torno dele, e já nasce partindo pro abraço. Papai tem um surto de paralisia psicótica e o dono do reformatório prepara-se pra eletrocutar o bebê (ou chicotear a mãe - o texto no alemão é ambiguo e não deixa isso claro)

7a) mamãe pássaro sabe que é hora de seu filhote sair do ninho e aprender a voar. Papai consegue segurar o bebê antes que ele se esborrache. O dono do reformatório sugere haldol, e roupas.
7b) papai e mamãe saem felizes rumo ao mercado negro.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Neta-News
diretamente da mãe da Lucia:
Gente, fomos hoje ver, como a Maria, diz "o videoclipe do bebê" e a pequena Lúcia já tem mais de dois quilos (parabéns pra mim que estou comendo uma média de oito bifes e cinco ovos por dia há um mês), cabelo, muito cabelo, bochechas bem gordinhas e entre elas uma boca igual a do pai que, olhem só, sorriu pra gente de graça, assim, no meio do ultrassom. "Mas dr, não pode ser um espasmo?", "Não, com essa idade eles já acham graça da massagem do transdutor, ela tá rindo mesmo". Lágrimas e cara de espanto da Maria.
Bom, e o colo do útero, que não aguentaria 600 gramas de criança sobre ele, depois de três meses mergulhado em doses massivas de progesterona virou uma verdadeira muralha medieval. Tá tão hermética a coisa que deve dar pra segurar ela lá até a faculdade. E quando disserem que não é recomendável pro desenvolvimento, a gente responde que tá esperando a cortizona que amadurece o juízo ainda no útero.
Conheço aquele sorrizinho...
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
34 Semanas FTW ----> For The Win!
No louco mundo dos homens grávidos mal sobra tempo para contar todas as merecidas historinhas. Na minha próxima gravidez, possivelmente em outra encarnação, eu largo tudo e relato 100%. Enquanto isso...
Lucia é muita ativa e se mexe com intensidade. Dá pra ver de fora, e sempre que sinto na mão tenho calafrios. Ana continua arrumando trabalhos pra fazer, já que nossa vida é financeiramente apertada. Diz ela que durante um seminário ontem, ela teve que fazer pressão com a mão pra Lucia não subir muito, comprimindo o diafragma. Lucia deu um giro e chutou o diafragma por trás da mão, causando um profundo Gasp na pobre Ana. Não vejo a hora de ensinar Kung Fu pra ela!! As pessoas no seminário acharam que ela queria falar alguma coisa ou que grávidas são loucas. Onde já se viu pensar uma coisa dessas!! Gostaria de ensinar KF pra Maria também, mas nosso treino sempre acaba em guerra de cócegas.
Maria anda um pouco birrenta, oscilando entre o amor pela irmã não nascida e um profundo ciúme, pelo qual ela se sente culpada e não sabe bem o que fazer com isso. Faz uns dias a Maria, que aprendeu a ler esse ano, encostou a cabeça na barriga e leu um livro inteiro para ela, "As rosas inglesas de Maddonna". No mesmo dia, sofrendo de certa regressão, pressionou a cabeça na virilha da mãe e dizia: - "Mãe eu quero entrar pelo sua pretchequinha, eu quero voltar lá pra dentro". Eu disse "todos queremos", frase cuja sutileza felizmente escapa ao público de sete anos de idade.
Hoje devem chegar as cortinas e enfeites de berço da Lucia, transformando de vez o que era um depósito em um quarto de bebê. Em boa hora, já que é improvável que a gravidez se estenda até outubro. Ana tem sentido alterações e nada impede que esse tal de nascimento aconteça a qualquer dia. E já me ofereci para usar aquela máquina que transfere parte da dor do parto para o pai da criança, afinal o leiteiro é um puta de um folgado e ele bem que merece sofrer um pouco.
Na escola, Maria convive com muito mais crianças do que no pré, portanto fica exposta a muito mais modelos de mundo e família. Aparentemente, na escola dela, tem uma quantidade razoável de um surpreendente fenômeno, o dos pais ainda casados. Ana preenchendo cadastro no supermercado, a atendente pergunta, "estado civil: casada ou solteira". A Ana abre a boca pra falar e a Maria se adianta e diz "você não é casada com o Rê, mãe". Não sabemos ao certo se isso vem de algum moralismo ou de que se eu me casasse com a Ana ela se sentiria mais segura. Em outro momento ela diz pra Ana que está feliz, mas que não gosta que os pais dela não sejam casados, e que ela tem saudades de quando eles eram.
Segue diálogo:
- "filha, do que exatamente você tem saudades?"
- "Não sei mãe"
- "me dá um exemplo"
- "ahm... teve uma vez que eu me queimei e o papai brigou com você por isso"
- "e você tem saudades disso? filha, eu e seu pai tivemos momentos ótimos, mas quando a gente brigava nenhum dos dois ficava feliz."
- "ah mãe, não sei explicar, mas tenho"
- "E quando morávamos nós duas em perdizes, vc tem saudades?"
- "Tenho!!"
Eu entendo a Maria, ela tem saudades em especial da conexão quase exclusiva que tinha com a mãe, quando moravam juntas... Depois ela passou a dividir a mãe comigo, e agora vai dividir com a irmã também... Isso força ela a crescer e deixar de ser o bebê da casa. E crescer dói.
Lucia é muita ativa e se mexe com intensidade. Dá pra ver de fora, e sempre que sinto na mão tenho calafrios. Ana continua arrumando trabalhos pra fazer, já que nossa vida é financeiramente apertada. Diz ela que durante um seminário ontem, ela teve que fazer pressão com a mão pra Lucia não subir muito, comprimindo o diafragma. Lucia deu um giro e chutou o diafragma por trás da mão, causando um profundo Gasp na pobre Ana. Não vejo a hora de ensinar Kung Fu pra ela!! As pessoas no seminário acharam que ela queria falar alguma coisa ou que grávidas são loucas. Onde já se viu pensar uma coisa dessas!! Gostaria de ensinar KF pra Maria também, mas nosso treino sempre acaba em guerra de cócegas.
Maria anda um pouco birrenta, oscilando entre o amor pela irmã não nascida e um profundo ciúme, pelo qual ela se sente culpada e não sabe bem o que fazer com isso. Faz uns dias a Maria, que aprendeu a ler esse ano, encostou a cabeça na barriga e leu um livro inteiro para ela, "As rosas inglesas de Maddonna". No mesmo dia, sofrendo de certa regressão, pressionou a cabeça na virilha da mãe e dizia: - "Mãe eu quero entrar pelo sua pretchequinha, eu quero voltar lá pra dentro". Eu disse "todos queremos", frase cuja sutileza felizmente escapa ao público de sete anos de idade.
Hoje devem chegar as cortinas e enfeites de berço da Lucia, transformando de vez o que era um depósito em um quarto de bebê. Em boa hora, já que é improvável que a gravidez se estenda até outubro. Ana tem sentido alterações e nada impede que esse tal de nascimento aconteça a qualquer dia. E já me ofereci para usar aquela máquina que transfere parte da dor do parto para o pai da criança, afinal o leiteiro é um puta de um folgado e ele bem que merece sofrer um pouco.
Na escola, Maria convive com muito mais crianças do que no pré, portanto fica exposta a muito mais modelos de mundo e família. Aparentemente, na escola dela, tem uma quantidade razoável de um surpreendente fenômeno, o dos pais ainda casados. Ana preenchendo cadastro no supermercado, a atendente pergunta, "estado civil: casada ou solteira". A Ana abre a boca pra falar e a Maria se adianta e diz "você não é casada com o Rê, mãe". Não sabemos ao certo se isso vem de algum moralismo ou de que se eu me casasse com a Ana ela se sentiria mais segura. Em outro momento ela diz pra Ana que está feliz, mas que não gosta que os pais dela não sejam casados, e que ela tem saudades de quando eles eram.
Segue diálogo:
- "filha, do que exatamente você tem saudades?"
- "Não sei mãe"
- "me dá um exemplo"
- "ahm... teve uma vez que eu me queimei e o papai brigou com você por isso"
- "e você tem saudades disso? filha, eu e seu pai tivemos momentos ótimos, mas quando a gente brigava nenhum dos dois ficava feliz."
- "ah mãe, não sei explicar, mas tenho"
- "E quando morávamos nós duas em perdizes, vc tem saudades?"
- "Tenho!!"
Eu entendo a Maria, ela tem saudades em especial da conexão quase exclusiva que tinha com a mãe, quando moravam juntas... Depois ela passou a dividir a mãe comigo, e agora vai dividir com a irmã também... Isso força ela a crescer e deixar de ser o bebê da casa. E crescer dói.
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