Existem muitas abordagens teóricas, mas pra não transformar isso em um tratado, vamos com esta: Um ciborgue é um ser humano com uma relação de dependência com a tecnologia, esteja ela dentro do corpo ou fora.
E eles estão entre nós. Oscar Pistorius é um ciborgue, com suas pernas high-tech. O menino Jonathan, do video abaixo, também, com um implante coclear que permitiu que ele ouvisse pela primeira vez. Olha a cara dele quando ouve a voz da mãe, até cai a chupeta.
Mais interessante ainda é que esses implantes tem um hardware muito mais poderoso que o software, que recebe constantes updates. Essa aqui é a história de um adulto com esse implante, em busca de um software que permitisse que ele ouvisse de novo o Bolero, de Ravel. O software dele permitia voz ou música, mas não ambos.
E pra quem gosta do lado teórico do assunto tem a Donna Haraway, que propõe que o ciborgue é a salvação do feminismo através de um novo mito político. E pra quem não gosta de teoria tem o controverso Kevin Warwick, vulgo Capitão Ciborgue, que conectou seu sistema nervoso à internet, a um braço robô e depois ao braço da esposa. No mínimo ele não apanha mais de pau-de-macarrão.
Claro que, seguindo a idéia da dependência tecnológica à risca, somos todos ciborgues. Sem celular e internet temos até tremedeiras, a diferença é que a tecnologia não está contida no nosso corpo - ainda - e sim em aparelhos externos.
Assim, foi quase premonitório que eu comprasse, quase dez anos antes de ser pai, um dos livros da bibliografia adicional do semestre, sobre bebês-ciborgues, que trata desde a concepção baseada em tecnologia aos brinquedos high-tech:

Falando em brinquedos high-tech, eu ganhei meu primeiro computador, um apple ][+ em 87. Fiz curso de basic e acessava o videotexto. Hoje divido quase todos os meus games com a minha enteada Maria. Temos jogado Batman, Asilo Arkham, um jogo psicologicamente assustador mas que ela adora, ainda que nem tanto quanto o Club Penguin, que ela joga sozinha, graças a deus.

Falando em brinquedos high-tech, eu ganhei meu primeiro computador, um apple ][+ em 87. Fiz curso de basic e acessava o videotexto. Hoje divido quase todos os meus games com a minha enteada Maria. Temos jogado Batman, Asilo Arkham, um jogo psicologicamente assustador mas que ela adora, ainda que nem tanto quanto o Club Penguin, que ela joga sozinha, graças a deus.
E a Lucia dominou meu Iphone. Como é ele que eu tenho usado pra fazer videos dela, não tenho nenhum vídeo dela usando o próprio. Mas ela sabe fazer slide com o dedo pra trocar imagens, apertar play pra tocar videos, quer ver o que aparece na tela enquanto eu filmo e hoje de manhã, quando eu acordei, tinha três apps infantis ligadas, o que me deixou verdadeiramente pasmo.
Pra encerrar, já que se eu não me obrigar não largo o assunto, aqui um flash da nossa ciborgueria: Mariana, amiga da Maria em um computador ligado à TV da sala, brincando de decorar uma outra sala, Maria no notebook jogando uma variação de Tetris, e Lucia na cadeirinha - sem o celular, que afinal, estava sendo usado pra filmar a cena. Me antecipo aos comentários e aviso que elas já tinham brincando por horas no playground do prédio.










